Siegfried Zielinski

Abaixo resumo completo da conferência de Siegfried Zielinski

Para uma Diligente Filologia das Coisas Precisas

Dado que no mundo da natureza não pode existir nenhuma perfeição, ela também não existe no mundo da técnica. Conhecemos apenas tentativas de aproximação à mais alta perfeição. Cada coisa que nós produzimos e construímos é algo aperfeiçoável, improvisado, inadequado e provisório (Pye). Essas imperfeições fundamentais das coisas técnicas e dos sistemas conduz-nos à fundação e embasamento de um conceito. O que se pleiteia é uma (possível) filologia diligente (mas não perfeita) de coisas precisas, que se forma e origina na meta de possibilitar e apoiar as comunicações com os outros, para produzir um acontecimento extraordinário.  A função sistêmica dos meios não interessa a essa filologia.  A tal projeto corresponde fundamentalmente a idéia de que a linguagem também pode ser compreendida como artefato – e a noção mesmo de artefato é discutida.  Como conseqüência da descoberta do estruturalismo, forma-se a noção básica de que o objeto técnico vivido deve ser entendido não como ideologia, mas como doador de idéias para um método de trabalho fundamental. O intercâmbio intensivo entre o ato da desmontagem e aquele da remonategem não é apenas a possibilidade de tornar a ordem da linguagem transparente e transformável.  Dominá-lo pode também nos ajudar a “compreender o jogo da produção do novo” (Rheinberger), que se encontra na base dos sistemas experimentais que nós chamamos, em diferentes campos, de pesquisa. As artes, na medida em que produzem o experimantal, nos envolvem naturalmente nesse processo.

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